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divulgada dia 19 de janeiro de 2010
A Embrapa Arroz e Feijão realizou
um estudo, a fim de realizar projeções do agronegócio
do arroz no Brasil até 2020. Para tanto, foi necessário
projetar o crescimento demográfico, estimar o consumo
per capita e calcular a oferta da produção de
arroz no país.
Para efeito de cálculo, foi considerado
que nos próximos dez anos o consumo per capita de arroz
em casca no Brasil será de 67 quilos ao ano, o que
permitiu chegar a uma projeção de demanda de
12,1 milhões de toneladas em 2010, crescendo para 13,6
milhões de toneladas em 2020.
Já a estimativa da produção
de arroz no Brasil no período de 2010 a 2002 foi feita
considerando taxas de crescimento da área de 1,36%
(ao ano) e da produtividade de 2,58% (ao ano) no Rio Grande
do Sul e taxa negativa de crescimento da área de 3,34%
(ao ano) e da produtividade de 2,58% (ao ano) para os demais
estados produtores de arroz no Brasil, com exceção
de Santa Catarina, cuja produção foi considerada
estável (em torno de um milhão de toneladas).
Chegou-se as esses números por meio
de análises das séries históricas de
dados do IPEA e do IBGE. O resultado foi de uma oferta de
13,1 milhões de toneladas de arroz em casca em 2010,
aumentando para 17,1 milhões de toneladas em 2020.
Com estas pressuposições,
projetou-se um cenário com excedente de arroz no Brasil.
Ou seja, nos próximos dez anos, obtém-se um
balanço superavitário sempre crescente, variando
450 mil toneladas (correspondendo a 3,4% do total produzido)
a 2,9 milhões de toneladas (17,1% do total produzido).
São três alternativas que a
rizicultura nacional possui diante desse cenário: diminuir
o ritmo de evolução da produção;
estimular o consumo; ou exportar o excedente.
A opção de restringir a produção
não é interessante, pois irá gerar impactos
negativos no aspecto econômico, principalmente, para
as indústrias, que ficarão ociosas.
Já a alternativa de aumentar o consumo
pode ser feita pensando-se no produto in natura ou pela industrialização
de derivados do arroz. O primeiro caso, aumento do consumo
per capita do arroz polido, é pouco provável
de acontecer, devido às características nutricionais
do arroz e da maior oferta de opções de produtos
alimentícios mais convenientes ao padrão de
vida das populações. Além disso, há
de se ressaltar que o consumo in natura brasileiro é
um dos mais altos no mundo, embora historicamente o país
esteja passando por uma tendência declínio.
Para o segundo caso, acreditamos tratar-se
de uma alternativa promissora, mas de aplicabilidade lenta,
pois exige pesquisas para descobrir formas e ajustes de utilização,
que certamente irão exigir cultivares com qualidades
físicas e químicas distintas das existentes.
Isso irá requerer um esforço adicional dos programas
de melhoramento, com resultados a médio e longo prazo.
Contudo, o aumento do consumo via industrialização
e utilização de derivados e subprodutos não
deve ser desprezado, tanto para aumentar as opções,
como para agregar valor à cadeia produtiva.
Por fim, a opção pela exportação
é a que se apresenta com possibilidade de dar resposta
a curto prazo. Neste aspecto, observa-se que a quantidade
excedente de 450 mil toneladas em 2010 não atemoriza,
visto que o Brasil, no período de 2005 a 2008, exportou,
respectivamente, 452,3 mil toneladas; 313,1 mil toneladas;
e 789,9 mil toneladas, segundo dados da Conab.
Além disso, certos estudos consideram
que a quantidade exportada no início da série
projetada (3,4%) é semelhante ao que é transacionado
no mercado internacional em relação à
produção mundial de arroz, isto é, 5%.
O aumento das exportações
também é compatível com o percentual
de países exportadores, pois o Brasil em 2020 exportaria
o equivalente a (17,1%) do total produzido, visto que a Tailândia,
Vietnã, Índia, EUA, Paquistão e China
exportam, respectivamente, 31%, 16%, 15%, 13%, 8% e 5% de
sua produção.
Ademais, há autores que avaliam a
oportunidade do momento à exportação,
pois a crise mundial de 2008 mostrou que a futura estabilidade
do mercado de arroz depende do restabelecimento e da construção
de novas relações entre países importadores
e exportadores.
Cabe ressaltar que a opção
pela exportação vai exigir esforços adicionais
aos feitos pela rizicultura nacional. Por exemplo, citam-se
pesquisas de mercado com maior potencial para absorver o arroz
brasileiro e a identificação de nichos de mercado
promitentes em termos de demanda, mas que o tipo de grão
produzido não atende ainda à qualidade exigida.
Neste último caso, deve haver um direcionamento por
parte dos programas de melhoramento para atendê-los
satisfatoriamente. Além disso, uma outra questão
essencial é a organização de produtores
exportadores.
Carlos Magri Ferreira
Analista e Assessor da Área de Comunicação
e Negócios da Embrapa Arroz e Feijão
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